23/10/2019
Sinto mais do que cabe em mim,
pois ouço, em seu vai e vem cortante,
um sussurro deveras distante
de minha ânsia em permanecer assim
como sou: não mais do que estou,
não menos do que eu fui,
de onde vim, pra onde vou.
Seu silêncio, em meu peito escancarado,
ressoa.
Minha carne, aberta em ferida,
carne viva,
entoa em meu ser, que se desfaz.
E sua cor, que em mim se esvai,
é um aviso a minhas ondas:
encarne!, pois há, no fundo, uma parte boa
em seu devir.
E, enquanto outros são ilha,
seu sentir te faz lagoa.
Ouso ser concreto, mas não me basta.
Preciso de pele no mato;
me abastecer de maresia,
sufocar na sinfonia
do mundo concreto de fato.
Se cada dia nasço, morro e mato,
me mato sempre que não sinto o chão,
não vejo o céu.
Me escondo sob o véu abstrato do sal.
Derreto ao sol, escorro na chuva,
e o vento sem curva me turva.
Engessado não sou;
concreto não vim;
dourado não vou.
Tudo flui;
muito estou;
nada sou.
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
domingo, 30 de junho de 2019
Haiku 5
30/06/2019
في صحراء وغابة
تحت نور الشمس
هناك زهوري
no deserto e na floresta
sob a luz do sol
lá estão minhas flores
Grande Explosão
30/06/2019
tudo começa, tudo termina
e tu quer ser eterno
de verde e amarelo
feche os olhos, meta a bomba
que eu sou seu inferno
não uso seu terno
pixo meus olhos pra ver
fecho a boca pra comer
meu corpo tá vivo
mesmo desmentido
não sou consumido por você
pelo seu critério
mesmo deletério
sigo vivendo, sorrindo e sofrendo
e tu se faz de sério
séria é a bomba que eu trago em meu peito
sorriso esfolado, discurso cansado
eu não sou perfeito
mas sigo no mundo, vivendo e morrendo
esse é o meu jeito
vivendo e morrendo
esse é o meu jeito
então se prepara pra cair
quero te ver quando eu explodir
não aondo sonho
tem no meu caminho
contração e expansão
concentração e explosão
ferro e fogo
cego socorro
mato e morro
eu sou seu velório
parece simplório
num mundo ilusório
tudo que eu digo parece simplório
cansei desse mundo
que merda de mundo
meu peito palpita
um desgosto profundo
fim
recomeçou tudo
tudo começa, tudo termina
e tu quer ser eterno
de verde e amarelo
feche os olhos, meta a bomba
que eu sou seu inferno
não uso seu terno
pixo meus olhos pra ver
fecho a boca pra comer
meu corpo tá vivo
mesmo desmentido
não sou consumido por você
pelo seu critério
mesmo deletério
sigo vivendo, sorrindo e sofrendo
e tu se faz de sério
séria é a bomba que eu trago em meu peito
sorriso esfolado, discurso cansado
eu não sou perfeito
mas sigo no mundo, vivendo e morrendo
esse é o meu jeito
vivendo e morrendo
esse é o meu jeito
então se prepara pra cair
quero te ver quando eu explodir
não aondo sonho
tem no meu caminho
contração e expansão
concentração e explosão
ferro e fogo
cego socorro
mato e morro
eu sou seu velório
parece simplório
num mundo ilusório
tudo que eu digo parece simplório
cansei desse mundo
que merda de mundo
meu peito palpita
um desgosto profundo
fim
recomeçou tudo
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Horizonte de Eventos
10/04/2019
Isento de sentidos para me expressar,
sigo sozinho.
Sem sentido para minha luz
sem caminho.
Sou quente ou frio?
Destoo do meu ser, pois sou.
Mais do que sei que sou.
Assim será.
Em meu veu que sou eu mesmo,
engulo o que me tocar.
Não me vejo, pois não te vejo,
e aqui não adianta falar.
Basta contemplar,
sem sentido para a minha luz,
sem caminho.
O mundo começa do lado de lá.
Aqui, se não for pra sonhar,
deixa estar.
Porque ser é demais.
Sou mais do que meu tamanho pode indicar.
Busque os indícios de minha prisão,
se quiser me encontrar.
Distante do verso do seu olhar,
sou diverso.
Avesso aos sentidos
que pecam em me enxergar.
No fundo de mim
há mais do que sonha encontrar.
Mas cuidado ao se aproximar.
Sou um vórtice de tudo em mim,
e se você for chegando assim,
vai se perder e não mais se achar.
Melhor ficar assim:
distante.
Serei apenas um evento
em seu horizonte.
Isento de sentidos para me expressar,
sigo sozinho.
Sem sentido para minha luz
sem caminho.
Sou quente ou frio?
Destoo do meu ser, pois sou.
Mais do que sei que sou.
Assim será.
Em meu veu que sou eu mesmo,
engulo o que me tocar.
Não me vejo, pois não te vejo,
e aqui não adianta falar.
Basta contemplar,
sem sentido para a minha luz,
sem caminho.
O mundo começa do lado de lá.
Aqui, se não for pra sonhar,
deixa estar.
Porque ser é demais.
Sou mais do que meu tamanho pode indicar.
Busque os indícios de minha prisão,
se quiser me encontrar.
Distante do verso do seu olhar,
sou diverso.
Avesso aos sentidos
que pecam em me enxergar.
No fundo de mim
há mais do que sonha encontrar.
Mas cuidado ao se aproximar.
Sou um vórtice de tudo em mim,
e se você for chegando assim,
vai se perder e não mais se achar.
Melhor ficar assim:
distante.
Serei apenas um evento
em seu horizonte.
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
terça-feira, 12 de junho de 2018
Essência e Evanescência
11/06/2018
Mergulhado nos rios que percorrem minhas veias,
dissolvo minha mente por completo
e me torno fragmentos de mim mesmo.
Minúsculos grãos de mim
desaparecem em minhas águas
e completo minha metamorfose
como um grande fluido de eu em mim.
E minha correnteza vermelha
trafega por entre os obstáculos do caminho.
Sigo acompanhado de meu eu dissolvido
e de meu único desejo:
desejo de aflorar.
Aflorar.
Para que meus odores viajem livres pelos ares
e se confundam com os odores do mundo.
Que gostoso seria se minhas cores
alegrassem meus arredores..
Se minhas raízes não me prendessem ao solo,
mas me dessem firmeza
para que as pétalas pudessem vagar.
Pétalas vadias policromáticas.
Queria que abelhas me procurassem,
para que germinassem outras de mim,
que não seriam eu.
Mas sou rio.
Fluir é o cerne de meu ser.
E o desejo que eu posso ter
é que no meu trajeto ao mar
eu possa inspirar quem quiser sonhar
e que os outros venham a mim ao menos para beber.
Mergulhado nos rios que percorrem minhas veias,
dissolvo minha mente por completo
e me torno fragmentos de mim mesmo.
Minúsculos grãos de mim
desaparecem em minhas águas
e completo minha metamorfose
como um grande fluido de eu em mim.
E minha correnteza vermelha
trafega por entre os obstáculos do caminho.
Sigo acompanhado de meu eu dissolvido
e de meu único desejo:
desejo de aflorar.
Aflorar.
Para que meus odores viajem livres pelos ares
e se confundam com os odores do mundo.
Que gostoso seria se minhas cores
alegrassem meus arredores..
Se minhas raízes não me prendessem ao solo,
mas me dessem firmeza
para que as pétalas pudessem vagar.
Pétalas vadias policromáticas.
Queria que abelhas me procurassem,
para que germinassem outras de mim,
que não seriam eu.
Mas sou rio.
Fluir é o cerne de meu ser.
E o desejo que eu posso ter
é que no meu trajeto ao mar
eu possa inspirar quem quiser sonhar
e que os outros venham a mim ao menos para beber.
quinta-feira, 29 de março de 2018
Palavra É Existência
29/03/2018
Um dia vivi um mundo que já sonhei.
Tudo se repetia:
os olhos,
as falas,
o tempo.
Palavra é existência.
Sonho também.
E entrei naquele mundo que não era meu
(e era meu também)
e fui muito mais do que apenas sou.
Inundado em uma existência revivida,
chorei.
Materializei a palavra não falada.
Sonhei com campos,
irmãos
e histórias.
Conheci quem eu sempre quis ser.
Da Namíbia, o Sol brilhou em mim.
E eu sorri.
Enfim, sorri.
Me senti Zumira.
Aurora é o tempo.
E é minha mãe.
E é o tempo
que chega para todo mundo.
Aquele sonho acabou,
mas vieram outros depois.
Um outro dia,
disse,
serei leoa.
A Gabriela de Assis Costa Moreira
Um dia vivi um mundo que já sonhei.
Tudo se repetia:
os olhos,
as falas,
o tempo.
Palavra é existência.
Sonho também.
E entrei naquele mundo que não era meu
(e era meu também)
e fui muito mais do que apenas sou.
Inundado em uma existência revivida,
chorei.
Materializei a palavra não falada.
Sonhei com campos,
irmãos
e histórias.
Conheci quem eu sempre quis ser.
Da Namíbia, o Sol brilhou em mim.
E eu sorri.
Enfim, sorri.
Me senti Zumira.
Aurora é o tempo.
E é minha mãe.
E é o tempo
que chega para todo mundo.
Aquele sonho acabou,
mas vieram outros depois.
Um outro dia,
disse,
serei leoa.
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