12/03/2015
Em passos vagos sob a noite fria
Refaço na mente meus esforços diários,
Enquanto a noite berra o berro da orgia
De todos os seres vis imaginários.
Em que esquina vai me cruzar a estranha
Sensação do último dia chegado,
Se o terror desse dia mal acabado
Já me corroi toda e qualquer entranha?
Temo a sombra, que na noite escura vaga
Com passos invisíveis ao meu olho,
E o silêncio, essa chave sem ferrolho
Que a paz do meu caminho apaga.
Quando amanhã outra noite cair,
Verei brotar as redes da ilusão,
Soar meu último suspiro de homem são
E o semblante macabro da Lua a sorrir.
Pois nessa noite quem sairá à rua
Terá terrível garra e presa:
Verei do vampiro sua amarga destreza
E o lobisomem a uivar à Lua.
Que deixem sair esses seres tortos
Que não passaram pelo mundo e seus crivos,
Pois se nas outras noites reinam os vivos,
Na sexta-feira treze dominam os mortos.
sexta-feira, 13 de março de 2015
Hipocrisia
12/03/2015
Tem dias que o universo
parece estar contra a gente.
Mas acho isso tudo muita presunção.
É prepotência demais achar que o universo
- esse nada todo -
vai perder seu tempo,
gastar sua energia
tratando de minha vida.
Nesses vinte e seis anos,
quem sou eu na idade astral?
Sou como uma célula,
que é parte do organismo,
mas morre muito mais cedo que ele.
E quando morre, não se sabe de sua morte.
Não existe velório para a célula...
Caixão, lápide, luto...
Seu nome não aparece no obituário.
É verdade que não passo de comida de verme.
Encerrarei meus poucos anos de idade astral
como uma massa fétida, repleta de gases,
devorada pelo Deus Verme.
E quando lembro que meus pesares
mais parecem histeria perto do sofrimento
que vemos tanta gente passando,
peço que o universo fique a favor dessas pessoas.
E me sinto tão podre em minhas queixas
que desejo o fim de minha existência celular,
para que minha massa fétida
tenha enfim alguma serventia.
Tem dias que o universo
parece estar contra a gente.
Mas acho isso tudo muita presunção.
É prepotência demais achar que o universo
- esse nada todo -
vai perder seu tempo,
gastar sua energia
tratando de minha vida.
Nesses vinte e seis anos,
quem sou eu na idade astral?
Sou como uma célula,
que é parte do organismo,
mas morre muito mais cedo que ele.
E quando morre, não se sabe de sua morte.
Não existe velório para a célula...
Caixão, lápide, luto...
Seu nome não aparece no obituário.
É verdade que não passo de comida de verme.
Encerrarei meus poucos anos de idade astral
como uma massa fétida, repleta de gases,
devorada pelo Deus Verme.
E quando lembro que meus pesares
mais parecem histeria perto do sofrimento
que vemos tanta gente passando,
peço que o universo fique a favor dessas pessoas.
E me sinto tão podre em minhas queixas
que desejo o fim de minha existência celular,
para que minha massa fétida
tenha enfim alguma serventia.
domingo, 8 de março de 2015
Dia de Luta
08/03/2015
Eu não aguento mais sorrir,
quando eu quero é chorar.
(incoerência)
A hipocrisia tenta me calar,
mas eu não vou ficar calada,
mesmo cansada,
eu vou gritar pra poder ser escutada.
Não quero ser cão que nem morde nem ladra,
Mas ao me ver domesticada, em subemprego,
tentando ser valorizada, mas sem sossego,
eu fico mesmo é infeliz,
sem acreditar num bom futuro,
sem coragem pra enfrentar o mundo,
sem força pra pular o muro.
Então para!
A verdade que não cala
vem sussurrar em meus ouvidos,
me dar forças pra sair da vala.
Levanto os olhos para o céu,
tentando achar a salvação,
que aqui de baixo não vejo nada,
nem conto de fada, nem solução,
mas lá de cima também não.
Não!
Então me diga como eu posso
sorrir com satisfação.
Não,
não quero um dia pra mim, não.
Eu quero é liberdade, igualdade, compreensão.
Quero orgulho da minha vida, e mais satisfação.
E agora, a mentira que não cola
de que todos somos iguais.
Que brincadeira... não me enrola!
Não tô acostumada a ser enganada;
eu não sou burra, isso não rola.
Então vamos falar a verdade.
Não sou de jogar conversa fora,
falando de trivialidade,
de novela ou coca-cola.
Eu quero é mais.
Mais!
Um bom salário, um bom emprego;
quero direitos, não quero esmola.
Quero poder andar na rua
sem medo de ser estuprada
e ainda ouvir um homem falando
"Era ela que tava errada,
com aquela roupa, aquela conduta,
não era moça, era puta.",
e ainda ter que ouvir essa merda calada,
porque eu sou amordaçada
todo dia, toda hora,
pelo machismo que ainda existe,
que persiste, não foi embora.
Então para!
Não cala, não chora.
Vamos à rua, vamos à luta,
sem medo e sem demora.
É agora!
Vamos lutar para vencer!
E se eu morrer?
Não me arrependo, não dei o braço a torcer.
Não!
Não quero um dia pra mim, não.
Eu quero é liberdade, igualdade, compreensão.
Quero orgulho da minha vida e um bom futuro.
Pega a visão!
Mas não é só do nosso lado
que a corda sempre parte;
no mundo tem muito ódio
e toda sorte de covarde
que aproveita de sua condição,
de sua suposta "normalidade",
pra fazer tanta besteira,
toda forma de atrocidade
e sair ileso,
porque "é aceitável, não se abale",
mas não.
Não!
Não tenho a menor condição
de ouvir de gente assim
qualquer discurso e manifestação
de sua completa arrogância, ignorância e podridão,
quando vira para mim
e diz sem exaltação:
"Hoje eu tô meio abalado,
porque não sei o que é ser reprimido,
marginalizado, linchado,
ser julgado culpado
por um crime que não cometi,
ser acuado pela cor ou lugar onde eu nasci.
Mas hoje eu vi um mendigo no chão
(que pena).
Tava largado, comendo lixo,
enquanto eu ia pra Ipanema
pegar uma praia, pegar um sol,
mas não esquenta não, irmão,
mais tarde eu vou prum bar,
me embriagar,
esquecer a tristeza no lençol,
porque pra mim vai tudo bem.
Não preciso me incomodar,
já que nada vai me faltar,
amém."
Não!
Não quero um dia pra mim, não.
Eu quero é liberdade, igualdade, compreensão.
E distância dessa gente que cospe em quem tá no chão.
Mas o mendigo ainda tá ali,
comendo o lixo do playboy
que no outro dia já se esquece;
isso me mata, isso me dói!
Vejo minha gente acuada,
seu sangue no chão,
e não ouço sua voz.
E agora?
Onde anda nossa aurora?
O preto pobre é como um vírus
nos olhos da sociedade:
deve ser exterminado
para a "limpeza" da cidade.
A favela é invadida
por um bando de covarde
que exala morte
e muito mata.
(isso é maldade)
Com a desculpa da guerra às drogas...
Ah...!
É rir pra não chorar!
Melhor gritar, ir pra luta,
não se virar, não descansar,
porque esse mundo não tá perdido.
Não vou deixar me abalar!
E agora o quê?
Me deixa viver!
Tô preparada pro combate,
já tô cansada de sofrer.
E no final?
Aonde isso vai parar?
Já passei por tanta coisa...
não tenho outra face pra virar...
Agora você entendeu por que minha vontade é de matar?
Não! (pra quê?)
Não quero um dia pra mim.
Quero viver!
Eu não aguento mais sorrir,
quando eu quero é chorar.
(incoerência)
A hipocrisia tenta me calar,
mas eu não vou ficar calada,
mesmo cansada,
eu vou gritar pra poder ser escutada.
Não quero ser cão que nem morde nem ladra,
Mas ao me ver domesticada, em subemprego,
tentando ser valorizada, mas sem sossego,
eu fico mesmo é infeliz,
sem acreditar num bom futuro,
sem coragem pra enfrentar o mundo,
sem força pra pular o muro.
Então para!
A verdade que não cala
vem sussurrar em meus ouvidos,
me dar forças pra sair da vala.
Levanto os olhos para o céu,
tentando achar a salvação,
que aqui de baixo não vejo nada,
nem conto de fada, nem solução,
mas lá de cima também não.
Não!
Então me diga como eu posso
sorrir com satisfação.
Não,
não quero um dia pra mim, não.
Eu quero é liberdade, igualdade, compreensão.
Quero orgulho da minha vida, e mais satisfação.
E agora, a mentira que não cola
de que todos somos iguais.
Que brincadeira... não me enrola!
Não tô acostumada a ser enganada;
eu não sou burra, isso não rola.
Então vamos falar a verdade.
Não sou de jogar conversa fora,
falando de trivialidade,
de novela ou coca-cola.
Eu quero é mais.
Mais!
Um bom salário, um bom emprego;
quero direitos, não quero esmola.
Quero poder andar na rua
sem medo de ser estuprada
e ainda ouvir um homem falando
"Era ela que tava errada,
com aquela roupa, aquela conduta,
não era moça, era puta.",
e ainda ter que ouvir essa merda calada,
porque eu sou amordaçada
todo dia, toda hora,
pelo machismo que ainda existe,
que persiste, não foi embora.
Então para!
Não cala, não chora.
Vamos à rua, vamos à luta,
sem medo e sem demora.
É agora!
Vamos lutar para vencer!
E se eu morrer?
Não me arrependo, não dei o braço a torcer.
Não!
Não quero um dia pra mim, não.
Eu quero é liberdade, igualdade, compreensão.
Quero orgulho da minha vida e um bom futuro.
Pega a visão!
Mas não é só do nosso lado
que a corda sempre parte;
no mundo tem muito ódio
e toda sorte de covarde
que aproveita de sua condição,
de sua suposta "normalidade",
pra fazer tanta besteira,
toda forma de atrocidade
e sair ileso,
porque "é aceitável, não se abale",
mas não.
Não!
Não tenho a menor condição
de ouvir de gente assim
qualquer discurso e manifestação
de sua completa arrogância, ignorância e podridão,
quando vira para mim
e diz sem exaltação:
"Hoje eu tô meio abalado,
porque não sei o que é ser reprimido,
marginalizado, linchado,
ser julgado culpado
por um crime que não cometi,
ser acuado pela cor ou lugar onde eu nasci.
Mas hoje eu vi um mendigo no chão
(que pena).
Tava largado, comendo lixo,
enquanto eu ia pra Ipanema
pegar uma praia, pegar um sol,
mas não esquenta não, irmão,
mais tarde eu vou prum bar,
me embriagar,
esquecer a tristeza no lençol,
porque pra mim vai tudo bem.
Não preciso me incomodar,
já que nada vai me faltar,
amém."
Não!
Não quero um dia pra mim, não.
Eu quero é liberdade, igualdade, compreensão.
E distância dessa gente que cospe em quem tá no chão.
Mas o mendigo ainda tá ali,
comendo o lixo do playboy
que no outro dia já se esquece;
isso me mata, isso me dói!
Vejo minha gente acuada,
seu sangue no chão,
e não ouço sua voz.
E agora?
Onde anda nossa aurora?
O preto pobre é como um vírus
nos olhos da sociedade:
deve ser exterminado
para a "limpeza" da cidade.
A favela é invadida
por um bando de covarde
que exala morte
e muito mata.
(isso é maldade)
Com a desculpa da guerra às drogas...
Ah...!
É rir pra não chorar!
Melhor gritar, ir pra luta,
não se virar, não descansar,
porque esse mundo não tá perdido.
Não vou deixar me abalar!
E agora o quê?
Me deixa viver!
Tô preparada pro combate,
já tô cansada de sofrer.
E no final?
Aonde isso vai parar?
Já passei por tanta coisa...
não tenho outra face pra virar...
Agora você entendeu por que minha vontade é de matar?
Não! (pra quê?)
Não quero um dia pra mim.
Quero viver!
domingo, 1 de março de 2015
Ilha de Itaparica
01/03/2015
O tempo passa o tempo todo,
só para no domingo,
quando passam os meus ventos,
em passos na areia,
em mares de sentidos.
Mares que por ora
só habitam a lembrança;
os carros na avenida embaçam a vista,
a fumaça se faz brisa
no peito de quem só avista
o mar e a Ilha de Itaparica.
O que está distante, está perto,
o que está perto, está longe.
Habitar sem pertencer,
o que seria a inversão dos sentires.
Sentires que também são quereres
- onde queres asfalto, sou baía -,
quando transformados em versos,
prosas, poesias e histórias
(reais e imaginárias),
elementos ar e água
transbordando,
transcorrendo...
o tempo do agora!,
que se faz presente na saudade.
Saudade que é fogo,
pois tudo que saúda a todo tempo
queima.
Queima como um ardor
que embaça a vista,
que nos coloca os pés na pista
da lembrança e da esperança
de um dia se banhar no mesmo mar
- não há quem resista -,
aquele que traz o Sol, com seu pôr,
com seu farol,
e aquela mesma alegria
que flutua em tudo o que fica
- meu pensamento, meu sentimento -
na Ilha de Itaparica.
Escrito em parceria com Salete Alves e Talula Mel.
O tempo passa o tempo todo,
só para no domingo,
quando passam os meus ventos,
em passos na areia,
em mares de sentidos.
Mares que por ora
só habitam a lembrança;
os carros na avenida embaçam a vista,
a fumaça se faz brisa
no peito de quem só avista
o mar e a Ilha de Itaparica.
O que está distante, está perto,
o que está perto, está longe.
Habitar sem pertencer,
o que seria a inversão dos sentires.
Sentires que também são quereres
- onde queres asfalto, sou baía -,
quando transformados em versos,
prosas, poesias e histórias
(reais e imaginárias),
elementos ar e água
transbordando,
transcorrendo...
o tempo do agora!,
que se faz presente na saudade.
Saudade que é fogo,
pois tudo que saúda a todo tempo
queima.
Queima como um ardor
que embaça a vista,
que nos coloca os pés na pista
da lembrança e da esperança
de um dia se banhar no mesmo mar
- não há quem resista -,
aquele que traz o Sol, com seu pôr,
com seu farol,
e aquela mesma alegria
que flutua em tudo o que fica
- meu pensamento, meu sentimento -
na Ilha de Itaparica.
Escrito em parceria com Salete Alves e Talula Mel.
Palavras Contadas
01/03/2015
Não se distancie,
não se ria,
não se embriague em mim.
Beba do meu mel
que contagia,
que cura a garganta ruim.
Ora, o que eu digo?
Que ousadia!,
querer mandar em você assim...
Não mando em ninguém, não.
(que fantasia!)
Mal mando em mim. Enfim...!
Mas você, que não vejo há tanto tempo,
que não sai do meu pensamento,
por que me trata assim?
Transpiro em meu suor uma história,
gravada em minha memória,
que não pediu um fim.
Mas antes de mais nada,
com a vista cansada,
vou te falar (preste atenção!):
isso foi tudo uma brincadeira,
uma alegoria,
um jogo de luz e ilusão.
Falei com uma certa inocência
(malemolência)
que me deu satisfação.
E se você aí lendo está confusa,
achando que é minha musa,
não viaje, que isso aqui né pra você, não.
Não se distancie,
não se ria,
não se embriague em mim.
Beba do meu mel
que contagia,
que cura a garganta ruim.
Ora, o que eu digo?
Que ousadia!,
querer mandar em você assim...
Não mando em ninguém, não.
(que fantasia!)
Mal mando em mim. Enfim...!
Mas você, que não vejo há tanto tempo,
que não sai do meu pensamento,
por que me trata assim?
Transpiro em meu suor uma história,
gravada em minha memória,
que não pediu um fim.
Mas antes de mais nada,
com a vista cansada,
vou te falar (preste atenção!):
isso foi tudo uma brincadeira,
uma alegoria,
um jogo de luz e ilusão.
Falei com uma certa inocência
(malemolência)
que me deu satisfação.
E se você aí lendo está confusa,
achando que é minha musa,
não viaje, que isso aqui né pra você, não.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
À Minha Terrinha
23/02/2015
Com as areias que contornam os meus pés,
viro meu olhar para o mar,
perguntando ao horizonte
aonde meu barco vai me levar.
As ondas que vêm calmamente
contrastam com as ondas fortes do fundo,
e o vento que forte balança meus cabelos
uiva mensagens misteriosas em meus ouvidos.
"O que tem para me dizer?",
pergunto enquanto a areia sobe em meus pés,
e a resposta não chega ao meu mundo.
"Não se vá. Não se vá.",
cintila o reflexo do Sol na água.
"Venha se banhar."
Que banho bom!
Piso em uma pedra que não me machuca,
e as águas me acariciam.
O vento me força a mergulhar,
mas eu boio mesmo assim,
e sinto os raios solares,
o brilho que me vem iluminar,
me confundindo com o mar.
Ouço vozes, e elas falam tanto...!
Cantos e cantos e cantos.
(e choros)
O coro da praia me contagia
(ondas, ventos, peixes, grauçás),
e eu entro na fantasia.
Trabalho minhas cordas vocais
e brilho na testa e no peito.
Me maravilho, me deleito,
saúdo e me despeço.
Adeus, minha terrinha.
Vou ali e um dia volto.
Não se esqueça de mim!,
é tudo o que peço.
Com as areias que contornam os meus pés,
viro meu olhar para o mar,
perguntando ao horizonte
aonde meu barco vai me levar.
As ondas que vêm calmamente
contrastam com as ondas fortes do fundo,
e o vento que forte balança meus cabelos
uiva mensagens misteriosas em meus ouvidos.
"O que tem para me dizer?",
pergunto enquanto a areia sobe em meus pés,
e a resposta não chega ao meu mundo.
"Não se vá. Não se vá.",
cintila o reflexo do Sol na água.
"Venha se banhar."
Que banho bom!
Piso em uma pedra que não me machuca,
e as águas me acariciam.
O vento me força a mergulhar,
mas eu boio mesmo assim,
e sinto os raios solares,
o brilho que me vem iluminar,
me confundindo com o mar.
Ouço vozes, e elas falam tanto...!
Cantos e cantos e cantos.
(e choros)
O coro da praia me contagia
(ondas, ventos, peixes, grauçás),
e eu entro na fantasia.
Trabalho minhas cordas vocais
e brilho na testa e no peito.
Me maravilho, me deleito,
saúdo e me despeço.
Adeus, minha terrinha.
Vou ali e um dia volto.
Não se esqueça de mim!,
é tudo o que peço.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Lembranças
10/02/2015
O pôr do sol me lembra todo dia
que todo dia o Sol morre.
E meu cachorro, tomando banho de sol,
me lembra todo dia
como o Sol é importante,
mas que olhar para ele cega.
A noite é quando o pedaço da Terra onde estamos
dá as costas ao Sol.
Uma briga diária
que a cada novo dia se desfaz;
como as marés,
que nada mais são que o mar em dúvida,
sem saber se quer ficar perto de nós ou se afastar.
Dúvida todo mundo tem.
Quem não tem, não sabe de nada.
Se eu demorar demais de morrer,
vou acabar com minha própria vida,
para poder ter certeza de alguma coisa.
Vou fazer uma tatuagem
só para ter alguma coisa permanente no meu corpo.
Mas vai ser nas costas,
para só conseguir ver com o espelho,
só para lembrar que não vemos
as coisas como elas realmente são.
Os espelhos são grandes enganadores
- mostram o que não se vê -,
assim como o amor,
com essa coisa de arder sem se ver.
Vou me queimar bem na tatuagem
só para lembrar que nada é eterno.
O pôr do sol me lembra todo dia
que todo dia o Sol morre.
E meu cachorro, tomando banho de sol,
me lembra todo dia
como o Sol é importante,
mas que olhar para ele cega.
A noite é quando o pedaço da Terra onde estamos
dá as costas ao Sol.
Uma briga diária
que a cada novo dia se desfaz;
como as marés,
que nada mais são que o mar em dúvida,
sem saber se quer ficar perto de nós ou se afastar.
Dúvida todo mundo tem.
Quem não tem, não sabe de nada.
Se eu demorar demais de morrer,
vou acabar com minha própria vida,
para poder ter certeza de alguma coisa.
Vou fazer uma tatuagem
só para ter alguma coisa permanente no meu corpo.
Mas vai ser nas costas,
para só conseguir ver com o espelho,
só para lembrar que não vemos
as coisas como elas realmente são.
Os espelhos são grandes enganadores
- mostram o que não se vê -,
assim como o amor,
com essa coisa de arder sem se ver.
Vou me queimar bem na tatuagem
só para lembrar que nada é eterno.
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