domingo, 14 de fevereiro de 2016

Onda Sonora

14/02/2016

Quero ser as pulsações no teu peito
E o brilho do teu amar
Pois meu único defeito
É nunca deixar de sonhar
E em teu sonho ser luz
Do luar que te conduz

Nos medos que tiveres
Me deixa ser tua coragem
E aos beijos que me deres
Que eu me entregue de verdade
Que verde amadureça
E com tudo isso cresça
Junto com o que puder te dar

Aqui não fico tão perto do mar
Mas me deixa virar onda
Que eu quero te afogar
De amor em mãos
Nada mais pode faltar

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Riachinho

04/01/2014

Sob as águas de uma cachoeira,
O Universo se curva em minha mente;
Me torno pássaro, peixe e serpente,
Purificando minha alma inteira.

No ponto mais alto de uma montanha,
Meu corpo se ilumina, sublima
Em diversos outros estados; culmina
Num suspiro que a si mesmo estranha.

Quando eu abraço forte a Natureza,
Me privo de toda e qualquer certeza.
Me liberto da Verdade e da Ilusão,

E atinjo outro nível de compreensão:
Sinto enfim que o amor não tem norma,
Porque a vida não tem fôrma, não tem forma.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Vulto de Vida

18/01/2016

Em planícies arenosas
e montanhas pedregosas.
No azul verde do mar
e no vermelho cálido do fogo.
Em toda parte e a todo tempo
sou um mundo de duas faces,
um ser do fabuloso mundo das ideias.

Minha visita ao mundo real
é um pedaço de minha brevidade.
Faço contato,
marco horário
e apareço.
Desapareço quando necessário.
E volto, sem clamor,
à minha virtuosa virtualidade.
Fico confuso, sinto saudade,
mas o mundo concreto não me pertence.

E se o mundo virasse ao avesso?
Se o mar chovesse no céu
e o fogo queimasse na madeira?
A mão seria quase nada,
porque o mundo seria completo.
Concreto.
E a ideia seria o avesso de tudo.
Contudo, nada é dessa maneira.
Em alguns momentos estou vivo.
Em outros não existo.
E meu tempo é limitado.
Vivo, resisto.
Quando não, desisto.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Caminhos

15/01/2016

Não pude parar de pensar.
Caminhei, me sentei,
contemplei o mar,
mas por dentro a cabeça a girar
não soube descansar.

Cada batida da onda
era uma onda,
uma viagem a tempos longínquos,
a mundos paralelos distantes.
Diz tanto o nosso sonhar...
A vida é feita de sonhos.
E de luta em fazê-los realidade.
E do gosto agridoce de acordar.

Esqueci de lembrar dos outros caminhos.
Vim com pista certa,
em linha reta,
pedra ante pedra.
Uma seta sem meta,
pois não há nada que me completa.

Me contempla o Sol que arde.
Que não tarde meu entendimento,
pois a vida é selvagem.
Não marca horário.
Ladra, morde, bate,
se debate.
Se solta.
Andei em linha reta
só para dar uma volta
e me esquecer de onde eu vim.
Minha vida é um grande esquecimento;
e a morte um esquecimento de mim.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Djin

21/12/2105

Estou aqui.
À espera de um contato,
uma ligação,
carta, mensagem.
Para fazer o que me for requerido.
E depois sumir
(por tempos imemoriáveis)
como um gênio da lâmpada
fora da lâmpada.

Quais são seus desejos?

domingo, 29 de novembro de 2015

Starsteel

29/11/2015

Tudo calmo por entre os prédios.
O verde e os bichos fugidos,
escondidos em seus nichos,
bem longe desse reinado do tédio.
E o mundo do desejo regido
por um batimento ébrio
no fundo do peito.

Mais ou menos dor, quero mesmo amor,
com sua rima que não quer calar.
Pois se vou continuar,
que seja a despeito
desse sufrágio biológico.
Com um desprezo módico
e um descaso médico.

Where is the starman?
Arcos, discos e planos,
voadores, escusos, astrais.
Uma dieta, um romance
e atitudes normais.
Falsa sensação de bem estar.
Sem amor, beijo, abraço,
que não caia lágrima
e levante o aço!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Filologia

18/11/2015

Em cada salto de um passo,
em cada braço de uma pegada,
muita água em jorro
e gozo em cada sacada.

Seja o brilho de um astro fosco,
seja o espinho de uma roseira,
que seja! Me veja e perceba
o íntimo de minha natureza.
Sem dar margem à dúvida:
feroz, tranquilo e selvagem.
Coragem! para viver a vida
e a morte súbita.

Nos muros, praias e curvas,
me turva um brilho conforme
ao explendor das musas.
Desse quadro não padeço.
Em seu peito amanheço,
em sua carne me aprofundo.
Me faz esquecer o mar,
me faz esquecer o mundo.